quinta-feira, 10 de julho de 2008

Meu Primeiro Amor


Meu primeiro amor
Um dia me abandonou
Nosso namoro terminou
Por outra me deixou
Tão pouco durou
Nem sequer me enganou
Sempre me desprezou
De mim não gostou
Nunca me abraçou
Também não me beijou
Outra garota conquistou
Tão bela que lhe encantou
Com a moreninha ficou
Com ela muito amou
Meu coração magoou
De tristeza chorou
Por ciúme pecou
Um dia o vento a levou
Seu amor findou
Em outro porto ancorou
Você não me escapou
Meu carinho ganhou
Minha vida não acabou
Com você ainda estou
Meu corpo se acostumou
Ao prazer que não provou

Sol Pordeus

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Alegria Alegria

Arme seu barracão
Esqueça quem lhe disse não
Delete o email que magoou seu coração
Rasgue o jornal da má notícia
Que lhe trouxe tensão
Jogue no lixo a ingratidão
Tome vacina contra tristeza
E pegue o vírus da satisfação
Deixe a alegria lhe contagiar de montão
Cante uma linda canção
Reze uma oração
Abrace com emoção
Beije com paixão
Ame e sorria muito
O mais não importa não

Sol Pordeus

Sol


Toc toc toc
Oooiii
Com licença
Posso entrar?
Como é bom chegar
Vim só te encontrar
Te alegrar
Te aconchegar
Te abraçar
Respire o ar
Deixar o sol entrar
Me aceite
Só quero fazer tua vida brilhar
Sol Pordeus

Jardim de flores


Vi um jardim
Com rosas que me fascinou
Belas e perfumadas
Que enfeitam até a dor
Alegres e tristes
Inocentes e debochadas
Como pode ser uma flor
Trouxeram-me lembranças
E saudades de toda cor
Roubei a mais cheirosa
E seu perfume me extasiou
Cada uma tem seu destino
Que um dia Deus traçou
A vermelha recebe a namorada
Com uma linda declaração de amor
Um ramalhete de rosas brancas
Vai enfeitar um andor
E caminhar em procissão
Lá em São Salvador
As amarelas são ardentes
Volúveis e levianas
Com muita vida e calor
Vão embora com os ventos
E não importa pra onde ele for
As de cor rosa são tagarelas
Se parecem jovens ousadas
E cheias de ardor
Algumas cedo murcham
Pois não suportam o desprezo
De quem um dia lhe deixou
As do buquê da noiva radiante
Tem jeito de amada amante
Ou donas de seu senhor
Tem aquelas que ficam no campo
Ouvindo o canto do sabiá
Essas vão colorir o mundo
Pois ninguém conseguiu lhe lograr
As roxas chamam mais outras
E se ajoelham num túmulo
Para suas lágrimas derramar
Sol Pordeus

Mulher do Nordeste

Mulher triste
Mas mulher do nordeste
Mulher triste e brava
Que nem bicho da peste
Mulher triste e forte
Como Olga de Carlos Prestes
Mulher triste
Que não importa
Se a do outro lhe deteste
Mulher triste
Que diz o que sente
Mesmo que alguém lhe conteste
Mulher triste e corajosa
Guerreira sempre, mas nunca inerte
Mulher triste
Que já leu Tieta do Agreste
Mulher triste
Que escuta música da Ivete
Mulher triste
Que dança ao som de Chiclete
Mulher triste
Que faz rimas pra qualquer pedestre
Mulher triste
Que ver filmes de Faroeste
Mulher triste
Que navega na internet
Mulher triste
Que desenha e pinta o sete
Sol Pordeus

Dorme


Do meu lado
Você dorme roncando
Estrelas eu vou contando
Espiando a lua
E pra São Jorge rezando
Viajo pelo espaço
Com você roncando
Chego às nuvens
Num dragão cavalgando
Beijos eu vou espalhando
Escutando do meu lado
Você tranqüilo roncando
Seus roncos e suspiros
No meu travesseiro vou guardando
O sol vem chegando
O rosto de Deus desenhando
Vejo você se espreguiçando
Sem nenhum pudor despertando
A roupa desabotoando
Mãos traquinas bolinando
De mim se apossando
Aí chego ao paraíso
Feito Adão e Eva pecando
Sol Pordeus

Velhos Tempos

Ando com saudade
De amor de ilusão
De flertar na rua
De namorar em calçada
De me esfregar no portão
De minha mão fria e gelada
Pegada na sua mão
De ficar bem agarrada
Debaixo de um pé de açafrão

Ando com saudade
De usar sabão de côco
E cantar no banheiro
As mágoas do coração
De viajar por aí
Em boléia de caminhão
De ler jornal velho
Encontrado no lixão
De tomar banho nuinha
E nadar no riachão

Ando com saudade
De sorvete de abacate
Tingido com papel de seda
E com pinguinhos de limão
De café com leite molhando o pão
De homens bebendo pinga
E dando cuspidas no chão

Ando com saudade
De torresmo e rubacão
De comer de colher ou fazer capitão
De refresco de uva
Com gostinho de papelão
De ouvir lorota do povão
E de arma de fogo usada por valentão

Ando com saudade
Da fada madrinha
Que fazia meus desejos
Com sua varinha de condão
Da serenata que escutei
E vi pela brecha do janelão
Da sua voz desafinada
Acompanhando o violão
Da vontade de correr de camisola
Pra lhe dar um abração


Sol Pordeus

Seu coração


Pra ganhar seu coração
Vou entrar na contra mão
Fazer bola de sabão
Tudo de mais doidão
Ou qualquer papelão
Rezar toda oração
Me agarrar com frei Damião
Beijar os pés de São Sebastião
Ir pro terreiro de Pai João
Pra me cobrir de proteção
Pendurar-me nas asas de um avião
Saltar de um balão
Soletrar a primeira lição
Cantar “Nossa Canção”
Fazer serenata no seu portão
Chorar feito bebê chorão
Jogar búzios e pião
Lavar sua cueca e seu calção
Viajar na carroceria de um caminhão
Subir a serra da viração
Morar no morro da perdição
Virar palhaça de circo
Pra lhe fazer rir de montão
Andar na escuridão
Brigar com bicho papão
Sambar com o povão
Caçar borboleta e gavião
Pescar piaba e tubarão
Ser peça de sua coleção
Ficar tonta e sem noção
Esconder meu ciúme no porão
Enfim assaltar seu coração
Bancar Eva cheia de tentação
E lhe prender em minha mão
Sol Pordeus

Mãe


Mãe
Lembra barrigões
Dor e contrações
Guris enfezados e chorões
Peitos cheios de leite
E bebês chupões
Mamadas noite à dentro
Até saciar comilões
Mãe
Lembra cantiga de ninar
Vindas dos corações
Mamadeira e chupetas
Fraldinhas mijadas de montões
Primeiros passinhos
Nos rabos de saia das mamães
Mãe
Lembra queda e arranhões
Criança mal criada e palavrões
Papinha de maizena e mingau
E sopinha de macarrões
Gritinhos assustados
E medo de bichos papões
Mãe
Lembra cartilha de ABC
Primeiros rabiscos e borrões
História de gigante e anões
E muita coragem
Em madrugadas de assombrações
Mãe
Lembra noitadas de serões
Cura de doença com orações
Esperas sem fim
Dos danados fujões
São filhos já crescidinhos
Muito amados e sabichões
Homem ou gay, mulher ou sapatões
Mãe
Lembra uma música
Que fala de paixões
Que se escuta lá longe
Numa voz cheia de emoções
Que encanta a noite e o luar dos sertões
Tem nostalgia
Chora de alegria e ri sem noções
Dispensa desculpas
Ama sem limites
E pede perdões


Sol Pordeus

Preciso de ti





Preciso de ti toda hora
Hoje sempre e agora
Vem e me namora
Meu corpo te chama
Meu desejo te implora
Te quero desde ontem
Ao romper da aurora
Pra amar-te por dentro e por fora
Vestida ou com tudo de fora
De dia ou de tarde
Ou quando o sol for embora
No chão ou em qualquer escora
Na chuva ou no calor
Mas sentir que me devora
Mirar teu rosto pálido que cora
E tu ver meu riso que de alegria chora
Tu és meu homem e meu senhor
Eu sou tua mulher e tua senhora
Sou tua a todo instante
Depressa e sem demora



Sol Pordeus

Anel Chuveiro


Ganhei um anel chuveiro
Comprado a um maloqueiro
Lá em São Salvador
Na baixa do sapateiro
Com pedrinhas de brilhante
Do lixo de um joalheiro
Foi presente que você me deu
No dia de meu aniversário
No carnaval de fevereiro
Você era aquele bonitão
Safado e bom cavalheiro
Que só queria ficar
Beijar e tocar pandeiro
Mas era o cara mais fogoso
Esperto e presepeiro
Que me alisava todinha
E eu me entregava por inteiro
E aquele homem gostoso
Que as mãos falavam primeiro
A gente deitava no chão
Feito bichos no terreiro
E deixava rolar
Aquele amor bandoleiro




Sol Pordeus

Coce meu pé





Coce meu pé
Que te dou cafuné
Sobe minha saia
Que acende a chaminé
Alise meus cabelos
Que assanho teus pêlos
Roce em meu queixo
Que eu já te farejo
Prove do meu beijo
Que mato teu desejo
Cheire meu perfume
E mostre teu rosto
Que pintei num azulejo
Rasgue minha carne
E tatue minha pele
Com um caranguejo
Alise meus peitos
Que te faço amor-perfeito
Adormece no meu colo
Que te faço de Anjo
Que me provoca arquejos
Quero sonhar contigo
De todos os jeitos
À noitinha em meu vilarejo
Vou babar nas tuas sobras
E me esbanjar nos teus sobejos


Sol Pordeus

Abra a porta do céu



São Pedro
Abra a porta do céu
Ou vou bater na torre de Babel
Não sou chegada a Caim
Sou bem assim com Abel
Sei dar beijo de boca
Que se derrete o mel
Também tiro a roupa
E me cubro com um véu
Fico tão transparente
Que se treme São Miguel
Estou morrendo de frio
Não me deixe ao léu
Se não pago minha entrada
Eu assino qualquer papel
Se não tenho dinheiro
Peço emprestado ao Anjo Gabriel
Se ele não confiar
Pode me dar o tal Rafael
No céu vou fazer bagunça
E o sete pintar de pincel
Desenhar bem o oito
Puxar a perninha do nove
E amarrar no meu anel
Cair nos seus braços
E fazer amor a granel
Dar uma festa no céu
Dançar com São Pedro até créu
E um tango com Carlos Gardel
Sol Pordeus