quarta-feira, 25 de junho de 2008

Meu São João



Meu São João
Eu vivo de ilusão
Pensando num amor
Chega dói meu coração
Esse é meu segredo
Eu digo sem ter medo
Que amo desde cedo
Com certeza e razão
Ele é minha paixão
É minha tentação
E minha perdição


Meu São João
Essa minha desventura
Parece até loucura
Mas também é minha ternura
E minha diabrura
A vida sem ele é dura
Eu não quero ser pura
Vou fazer uma doce mistura
Assim meu amor me atura
Só assim meu coração se cura


Meu São João
Meu coração sente e diz
Se meu amor não me quis
Ainda posso ser feliz
Não sou santa nem meretriz
Uma promessa eu já fiz
Rezei na igreja matriz
Vou dar pra ele uma flor de Liz
Tomar banho num chafariz
Calçar meu sapato de verniz
Voar nas asas de um concriz
Fazer cheirar teu nariz
E fazer amor lá em Paris


Sol Pordeus

sexta-feira, 20 de junho de 2008

São Pedro

São Pedro
Hoje faz festa no céu
De lá é o chaveiro
Pra você participar
Tem que dançar
E tocar pandeiro
Também vai soltar
Muito festejo e chuveiro
E confirmar o que São João disse
Pois é seu amigo e companheiro
Se é difícil de ir
Vá nas asas do papagaio violeiro
Ou então com o falcão sanfoneiro
E voando lá chegue primeiro
Brinque beba e se divirta
E não esqueça de voltar
Nas asas de seu caroneiro
Se não vai preocupar São Pedro
Além de curtir sua ressaca
Vai ter que mandar um Anjo trazer de volta
Esse malandro e boêmio festeiro!
Sol Pordeus

São João



São João é o Santo
Que faz festa no rancho
Com ele eu danço
Xote forró e quadrilha
De beleza o céu chega brilha
Na luz de um clarão
Ainda acende fogueira
Enfeita terreiro de bandeira
Gosta de gente forrozeira
Namora moça festeira
E casa de brincadeira

São João é o Santo
Que estoura bomba e mijão
Chuvinha e cobrinha
Que sai correndo pelo chão
Come canjica e pamonha
Milho verde e cocada
Muito pé-de-moleque
Ainda solta balão
Encontra nosso amor
E nos entrega na mão
Pra aquecer nossa vida
E nosso coração

Sol Pordeus

Santos de Junho


Viva Santo Antonio
O Santo casamenteiro
Padroeiro de meu rincão
Que se me arranja um marido
Vou lhe acompanhar em procissão
De pés descalço
E com uma vela na mão
Viva São João
Viva o arraiá enfeitado de balão
Viva a moça solteira
Dançando forró e quadrilha
Com aquele bonitão
Fungando no seu sovaco
Com cheirinho de loção
Viva o povo do sertão
Que dança xaxado xote e baião
Viva as fogueiras
Queimando lenha de montão
E o vulto do meu amor naquele fumação
Viva São Pedro
Parecendo o dono do mundo
Sem querer abrir o portão
Mas no céu a gente entra
Nem que seja no empurrão
Viva a melancia madura
Que você vai arrematar no leilão
Nela vou dar uma dentada
Que vai chiringar abaixo de seu cinturão
Vou encher sua boca
Com aquele sumo gostosão
E morder sua língua com apetite e sedução
E matar minha gula
Com meu instinto em explosão
Pregadinha no seu suor
Que nem Hilda Furacão
Viva a terra pegando fogo
Com tanto foguetão
Viva sua lembrança
Que me causa tentação
E os Santos do mês de junho
Por quem tenho devoção

Sol Pordeus

Namorados



Nuvem que carrega amores inflamados
Anjos traquinos e amantes esvoaçados
Mãos e dedos que bolinam acanhados
Olhos que se cruzam desconfiados
Risos em caras e beiços descorados
Almas inquietas e corpos arrepiados
Desejo e prazer que se tocam debochados
Orgasmo com mistura de malícia e pecados
Sentidos que dormem e acordam despudorados




Sol Pordeus

12 de Junho



12 de Junho!


Dia dos namorados
Dos amantes e enciumados
Do amor e dos amados
Pela paixão enfeitiçados
Tem xodó pelo sol
Chamego com a lua
Nos seus braços amarrados
Prazer com o vento
Aconchego com o frio
Perdidos nos pensamentos
Agasalhados com a rua
Acariciados pelo relento
Embriagados com o por-do-sol
Extasiados com o arrebol
Sufocados com a neblina
Amando a chuva fina
Riem a cada alvorecer
Choram de prazer ao anoitecer
De dia ver magia
De noite fantasia
Estrelas piscam no céu
Namorando ao léu
Um Amor cobiçando
E alguém se inspirando
Numa folha de papel
Escrevendo uma poesia
Com uma linda caligrafia
Ouvindo o bolero de Ravel
E os Anjos tocando
Também acompanhando
Em sinfonia testemunhando
Corações se apaixonando
Girando num carrosel

Sol Pordeus


domingo, 8 de junho de 2008

AMOR SEM MEDIDA


Vou viver um amor sem medida
Sem lei e sem preconceito
E de forma destemida
Não importa que tenha defeito
Mas que seja um amor sem medida...


Pode ser um amor proibido
Sem lenço e sem documento
Ousado e muito atrevido
Mesmo não sendo perfeito
Mas que eu tenha direito
A esse amor sem medida...


(Sol Pordeus)